Logo-2017

Existir não é um negócio simples, embora haja momentos absolutamente deliciosos nessa vida.
Dizem por aí que na adolescência a gente passa por questionamentos, dúvidas e tudo o mais. Mas, seriamente, há quem possa dizer que passou dos 20 e agora sabe o que fazer com tudo isso que a gente é?
Eu continuo sem saber, de verdade.

Quando eu morava em Sampa e esse sentimento ficava muito grande, no primeiro dia que tivesse folga ia para a Liberdade. É um lugar que sempre me fascinou, desde os primeiros meses na cidade. Percorrendo 4 estações de metrô, eu chegava a outro mundo. Bonito, intrigante, incompreensível. Ia passear, me perder nas ruazinhas, e por algumas horas absorvia o lugar só com os sentidos, sem pensar, sem tentar entender. Me reconfortava essa sensação de ser estrangeira.
E tem uma comida que pra mim resume e traz à tona todo esse clima: lámen.


Lembra o famoso ditado, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.
Bom, faz sentido pra mim.
Se eu pintar um cavalo de listrado, não é a mesma coisa que uma zebra. Pode ter um jeitão parecido, e eu nem sei de fato qual é a diferença, mas sei que existe.
Certamente há quem me considere obtusa mas, pra mim, dizer “omelete sem ovos” é um contrassenso (no entanto, preparo e almoço feliz da vida uma fritada de grão de bico).

Suponho que para muita gente, pode parecer que as pessoas “naturebas”, “vegetarianas”, “veganas”, “paleo”, que não comem glúten ou laticínios, todas são parte de um mesmo grupo coeso.
Como se pode imaginar, isso não é verdade.
Cada um tem lá seus motivos para fazer as escolhas que faz, e mesmo pessoas que tenham uma dieta muito parecida, podem ter motivações muito distintas.


Quando a gente sai pra comer em um buffet ou restaurante por quilo, sempre tem muito mais opções do que caberia civilizadamente em um prato. É claro, um truque meio safado desses restaurantes é apelar para o comilão que existe dentro de cada um e nos deixar com vontade de experimentar tudo (ahem... comigo não é difícil).
Às vezes, uma das opções que me deixa com água na boca é justamente aquela torta Madalena. Sabe? É meio torta, meio empadão: leva uma camada de carne moída temperada com verduras no fundo da assadeira, coberta com uma camada de purê de batata fofinho.
Me parece um belíssimo almoço! Só pôr uma salada crua do lado, e sucesso.
Só que não gosto de carne e não como carne, então nunca dá pé experimentar o prato. A mesma coisa me acontece no caso do escondidinho, que é praticamente a mesma coisa, apenas substituindo o purê de batata por purê de mandioca, e a carne moída por carne seca desfiada.
Ô vida.
Aí, um belo dia preparei minha própria versão com as verduras que tinha em casa.
Os onívoros na platéia talvez continuem preferindo a versão com carne sempre, mas pra vocês aí que querem dar uma variada, ou que também não comem carne, recomendo muito experimentar a receita.


O clichê a que o título de refere sou eu própria, yours truly. Como assim? Assim:

Assim, tenho passado um bom tempo em casa, cozinhando e escrevendo, e organizando o blog, e chega uma hora que dá um bode e preciso mudar de cenário. Aí está o clichê: apesar de ter muitas pautas em mente, deu uma certa falta de inspiração para escrever. Então fui a um café, e de repente não consigo parar de desenhar letras sobre o papel.
Geralmente, um parque perto da minha casa é o meu quintal. Mas com a chuvinha boa que está caindo, decidi ir conhecer este lugar onde queria ir há tempos. Me apaixonei.
Inclusive porque no trajeto à pé as idéias vão tomando forma sem que a gente nem perceba.

Quanto ao inusitado, é que outro dia me deparei com um belo maço de beterrabas que estava sem destino em casa, já que ando mais interessada nas ramas das beterrabas do que nelas próprias. Me lembrei de um vídeo todo bonitinho que uma amiga recomendou tempos atrás, onde aparecia a receita de um bolo sem farinha, de chocolate com beterraba. Ta aí uma combinação que eu não pensaria se ninguém me contasse que existe. E, olha, que delícia!