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Blog Flora Refosco - Tapioca de raiz

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Tapioca de raiz

20/08/2018 - 5 Comentários - Receitas | Café da manhã, Panqueca, Pão, Sem glúten, Sem lactose, Sem laticínios, Vegano, Vegetariano

Tapioca de raiz é uma piadinha infame pra chamar atenção com o título do post, não ligue.
Esta tapioca é o tipo mais gostoso que já experimentei. E, embora seja meio trabalhosa de fazer, pode ser preparada no modo preguiça com resultados incríveis também.

Tudo o que você vai precisar é: mandioca, um ralador ou um liquidificador, uma chapa de ferro bem quente (e talvez um tiquinho de óleo. Talvez não).Quando experiementei pela primeira vez, essa tapioca veio até mim num vidro comprado na feira de Curitiba. Foi presente da Flávia, essa criatura querida. Ela me explicou que o único ingrediente era mandioca que era plantada e ralada pela mulher que a vende na feira.
Achei muito impressionante, mas não assimilei direito. Não sei porque, não parecia algo factível em casa.
Mas não só é factível, como é também fácil e prático, e delicioso, e dura uns 7-10 dias na geladeira rendendo refeições de última hora que saciam a fome e a gula.

A estória é ralar com aquele lado do ralador que parece feito de buracos de prego, sabe? Que faz a verdura ralada se transformar numa massa de pedacinhos. Essa é a melhor versão que existe! Neste caso, é preciso usar aipim fresco, que a pessoa mesmo descasca, ou que comprou descascado mas sem congelar.
Isso porque depois de congelado e descongelado o aipim cru fica meio maleável, e aumenta (bastante) o risco de ralar os dedos junto.

Para descascar, é assim: observe que no verso da casca marrom tem uma película rosa. E debaixo dessa casquinha fina, tem uma casca que é bem branca, da mesma cor que a raiz em si. A gente coloca a faca entre a raiz e esta camada de casca branca e vai puxando, ela sai com certa facilidade. Conforme for descascando, coloco as raízes prontas dentro de uma tigela com água. Não sei dizer porque, mas é desse jeito que se guarda mandioca descascada. Aliás, se não for ralar imediatamente, ou se quiser simplesmente guardar pra cozinhar, ponho na geladeira desta forma: na tigela com água, e tampo. Como sempre tem uns resíduos da casca marrom e de terra, vale passar todo o aipim sob água corrente antes de guardar real oficial, ou de usar.

Testei também preparar a massa no liquidificador, porque nem sempre estou com disposição pra ralar manualmente meio quilo de aipim, não é mesmo?
O ideal é obter uma textura que tenha pequeninos pedaços, e não uma pasta lisa. Para obter esta textura, corto a raiz fresca em pedaços médios e coloco no liquificador. Vou pulsando aos poucos, até ver que se formou a massa, mas ainda tem uma textura. Pode ser necessário acrescentar um pouco de água, mas cuido para que seja o mínimo possível, porque do contrário pode atrapalhar a textura na hora de fritar a tapioca.
No caso de preparar no liquidi, não faz mal usar aipim que foi congelado. Só espere ele descongelar primeiro, pra colaborar com o aparelho.
Aliás, esta é uma regra de ouro da cozinha: colaboremos com o liquidificador pra que ele colabore conosco por vários anos.


Quando a massa fica mais úmida, a textura da tapioca pronta muda também.

Beleza, massa pronta. Guardo em um vidro com tampa, escrevo nele a data, e deixo na geladeira para ir usando aos poucos. Conserva-se lindamente por até 10 dias.
E pra usar?
Unto levemente minha amada chapa de ferro fundido, e deixo esquentar bem sobre fogo alto. Quando está BEM quente, coloco uma porção de 1/4 de xícara da massa e espalho com garfo para que fique a camada mais fina possível. Se você não tem uma chapa dessas, pode usar uma frigideira de fundo grosso ou uma antiaderente. Não costumo usar dessas, mas aposto que funciona.
Quando a massa fica firme do lado de cima e se solta com facilidade ao toque da espátula, viro a tapioca e deixo tostar um pouco o outro lado (uns 2 minutos, digamos?). E assim vai, até preparar quantas forem necessárias.

Sugiro uma ou duas por pessoa para um café da manhã. E o recheio fica à gosto do freguês.
Gosto muito de rechear com abacate fatiado e molho de pimenta, outra opção é banana e pasta de amendoim. Ou salada de folhas, tomate fatiado e queijo.

Uma ideia bem gostosa é ralar um pouco de coco (daí usar o lado mais grosso do ralador) ou comprar coco seco ralado e misturar na massa da tapioca. O sabor fica incrível.

Como diz a espetacular Neide Rigo, a cozinha brasileira é naturalmente sem trigo e sem glúten. Vamos nos atentar, resgatar as comidas e as sabedorias aqui da terrinha.
Cês viram que a receita também não tem nada de produtos animais, não tem nada de processado? Sal, açúcar, óleos, só serão usados se der vontade de colocar no recheio. E o que é mais: esta tapioca pode ser preparada de véspera pra levar na marmita, no piquenique. Puro amor.

Me conta, o que anda acontecendo na sua cozinha? O que anda com vontade de preparar?
Já conhecia esta tapioca que é feita com a raiz em vez de usar a goma?
Nos vemos nos comentários, no facebook e no instagram. Beijos!

02/09/2018 11:02:26

Fernando

Comentário
Sou do interior do Pará e lembro da minha vó já ter feito beiju assim, diretamente da mandioca. Vou experimentar também.

Resposta da Flora
Oi Fernando! Puxa, que coisa boa essa lembrança. Tão bom a gente reencontrar comidas de infância, né? Obrigada por deixar seu comentário, volte sempre! Um abraço.

24/08/2018 19:58:13

Givanilton Barros

Comentário
Então, sou do interior da Bahia conheço essa comida feita da raiz do aimpim como beijú .

Resposta da Flora
Oi oi! Obrigada por deixar seu comentário. Conheço pessoas que chama de beijú também. Acho que depende um pouco da região, né? Volte sempre! Um abraço!

21/08/2018 15:30:49

Ana Ottonelli

Comentário
Amei a dica....vou experimentar. Graças

Resposta da Flora
Oi, Ana! Depois me conte se gostou. Volte sempre :)

21/08/2018 14:41:35

Fabiana

Comentário
Adorei! Vou testar!

Resposta da Flora
Oba! Depois me conte! :*

21/08/2018 11:16:15

Juliana

Comentário
Que delícia!!! Vou fazer!!! Nossa, vivemos num lugar onde o aipim é tão cultivado! Que idéia maravilhosa flora!!! Obrigada!

Resposta da Flora
Que bom, Juli! Depois me conta o que você acha :) Beijos!

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